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A Coreia do Sul está passando pelo maior aumento de infecções por coronavírus desde 9 de abril. O surto surgiu em Itaewon, zona de bares e discotecas de Seul – capital do país – conhecida por ser frequentada pela comunidade LGBT+.

Até o momento, as autoridades já conseguiram testar quatro mil pessoas relacionadas ao aumento, mas calculam que ainda faltam, ao menos, mais de três mil cidadãos que precisam passar pelo exame. Diante disso, o governo lançou um apelo àqueles que tenham frequentado a área.

Embora seja legal ser LGBT+ no país, integrantes comunidade ainda precisam enfrentar uma sociedade conservadora e leis que não abrangem os direitos LGBT+. Devido a isso, muitas pessoas estão receosas de se disponibilizar aos testes e acabar ligando a sua imagem ao local.

O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da Coreia do Sul anunciou que, até agora, há 86 testes positivos relacionados com o surto de Itaewon.

Em entrevista ao The Guardian, Lee Youngwu, homem gay de 30 anos, conta que “foi um grande erro visitar o distrito gay [Itaewon] quando a situação da coroa ainda não havia terminado completamente. Mas visitar a área é o único momento em que posso ser eu mesmo e sair com outras pessoas parecidas comigo. Durante a semana, tenho que fingir gostar de mulheres”.

Youngwu ainda acrescenta que “a empresa do meu cartão de crédito me disse que havia passado minhas informações de pagamento no distrito às autoridades. Eu me sinto tão preso e caçado. Se eu fizer o teste, minha empresa provavelmente descobrirá que sou gay. Perderei meu emprego e enfrentarei uma humilhação pública. Sinto como se minha vida inteira estivesse prestes a entrar em colapso. Nunca me senti suicida antes e nunca pensei que me sentiria, mas estou me sentindo agora”.

O primeiro-ministro do país, Chung Sye-Kyun, pediu a população que “se abstenha de criticar uma determinada comunidade, pois isso não ajudará os esforços para conter a disseminação do coronavírus”.

O presidente da câmara da capital, Park Won-soon, prometeu a todos que se apresentarem ao exame que as informações pessoais serão protegidas, mas alertou que os apanhados evitando o teste sofreram multas.

Yoon Tae-ho, do Ministério da Saúde, afirmou que as autoridades resolveram divulgar “o movimento dos pacientes confirmados para encorajar todos aqueles que possam ter estado expostos a se testarem voluntariamente”. O governo ainda avisa que quem “distribuir informação pessoal dos pacientes ou rumores sem fundamento estarão sujeitos a punições”.

Foto: Freepik