Uma atitude que já se tornou padrão no novo governo do Brasil é anunciar medidas, e mediante a péssima repercussão de algumas, voltar atrás destas mesmas.

Foi assim com a fusão do Ministério do Meio Ambiente com Ministério da Agricultura, com a ideia estapafúrdia do Ministério da Educação, com a ideia de se criar uma base militar americana em terras brasileiras (algo que até o exército brasileiro se manifestou contra), em relação a cobrança de impostos, responsabilidade de demarcação de terras indígnenas, etc.

Não à toa, uma breve busca pela expressão “Bolsonaro Recua” no google traz mais de 100 mil resultados.

Há quem acuse o novo governo de inexperiência e ineficiência, sem saber pra onde vai (basta ver o plano de governo raso com o qual se elegeu) e também há quem diga que tudo não passa de uma estratégia de Bolsonaro para se criar cortinas de fumaça e descreditar a imprensa, que tem que sempre noticiar que a medida anteriormente noticiada, na realidade não vale mais.

O ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato a presidência da república pelo PT, Fernando Haddad, já ironizou a atitude de Bosonaro em seu Twitter e afirmou que tudo revela seu despreparo, ao mesmo tempo como, cortina de fumaça para desviar a atenção de outras medidas impopulares, como a possibilidade de se extinguir a Justiça do Trabalho do Brasil.


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Até mesmo a ex-ministra do Meio Ambiente que concorreu à presidência pela Rede, Marina Silva, ironizou os recuos de Bolsonaro ao apelar por mais respeito à pauta ambiental. “O governo Bolsonaro, reconhecido por sucessivos recuos, poderia rever sua visão atrasada na agenda socioambiental e que prejudica os interesses do país. Recuou em manter o Ministério do Meio Ambiente, mas na prática o desmonta para matá-lo por inanição”, afirmou.

O cientista político Rudá Ricci, concorda com ambos e afirma que o governo é desorientado em sua própria estrutura: “O Bolsonaro tem diferentes forças estruturadas dentro do governo. Uma é o nacionalismo dos militares. Eles estão tendo cuidado, mas toda hora soltam uma ou outra crítica, como por exemplo contra a venda da Petrobras”, alerta.

Já o ex-ministro da justiça, Eugênio Aragão, afirmou em suas redes sociais que isso mostra a como o novo governo está ocupado por pessoas incapazes, despreparadas e vaidosas.

“Tacham-se os melhores quadros de ‘marxistas’ e sobram os ingênuos, “useful idiots”, para levar a máquina pública a seu descalabro. Depois, vêm os salvadores do FMI, do Banco Mundial e do Federal Reserve, para cuidar da massa falida”, afirma Aragão.

“De bobo não tem nada quem está por detrás desse plano. Bobos somos nós que só olhamos para as aparências, achando que o capitão da reserva manda alguma coisa. Bobos são os que acham que foi a ‘corrupissaum dos petralhas’ a causa dessa indignidade porque nossa nação vai fatalmente passar.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).