Após retirar a cartilha de saúde para Homens Trans do ar na semana passada, o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro continua mostrando a que veio no quesito piorar e ameaçar a vida de minorias e da população mais vulnerável.

Desta vez, conforme noticiado pela Isto É, a médica sanitarista Adele Benzaken, especialista em HIV, foi demitida do cargo de direção do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

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Desde o início do governo Bolsonaro se temia essa demissão, o que seria uma grande regressão para a pasta. Inclusive, nas últimas semanas, houve uma série de manifestações de profissionais da área pedindo pela permanência da médica no cargo.

O Ministério da Saúde atribuiu a mudança a uma renovação da equipe e informou que Adele foi convidada para continuar a contribuir para formulação de políticas para o setor. Adele assumiu a direção do departamento em 2016. Em sua gestão, o País começou a adotar a profilaxia pré-exposição (PrEP), que prevê o uso de antirretrovirais não como tratamento do HIV, mas para prevenir a infecção. Com amplo apoio de organizações não governamentais, a permanência de Adele era considerada como uma garantia da manutenção de ações modernas de prevenção, de combate ao preconceito e de promoção dos direitos humanos.

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Os sinais de que a gestão de Adele estavam sob risco começaram ainda antes da posse do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Antes de assumir a pasta, Mandetta mostrou descontentamento com as ações de prevenção e disse ser necessária a adoção de estratégias que não “ofendessem” as famílias.

Muitas campanhas do Ministério da Saúde eram voltados principalmente para os grupos onde o risco de contágio (pela prática do sexo anal, basicamente) do HIV é maior, como travestis, mulheres trans, homens gays e homens que fazem sexo com homens (nomenclatura do Ministério da Saúde para atingir homens que não se dizem gays mas tem relacionamentos com homens esporadicamente ou de costume).

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Com as ideias de Mandetta, todas essas populações ficam desamparadas e expostas, já sendo os maiores grupos de risco. Sob o comando dele, também podemos esperar pouco ou nenhum progresso, senão até retrocessos, no que diz respeito a avanços no tratamento de HIV.

As suspeitas da demissão de Adele ganharam corpo semana passada, com a suspensão no site do ministério da Saúde de uma cartilha voltada para homens trans, que havia sido lançada há seis meses pela pasta. A retirada do material foi informada pelo jornal O Estado de S. Paulo. A justificativa oficial era a de que haviam sido identificadas “falhas” no material.

Cartas em defesa da permanência de Adele no cargo começaram a ser enviadas na última semana a Mandetta. Entre os pedidos, estavam manifestações da Articulação Nacional de Luta contra Aids, o Fórum de ONGs de Aids de São Paulo e infectologista José Ramalho Madruga.

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“Não podemos adormecer diante de uma epidemia que se aproxima de um milhão de casos e mais de 350 mil mortes desde 1980 no Brasil. Problematizar a questão da aids é compreendê-la dentro da concepção mais ampla”, afirmaram na carta integrantes da Anaids. 

O Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo, por sua vez, afirmou a importância das ferramentas para prevenção da infecção, entre elas, a profilaxia pré-exposição (PrEP), que prevê o uso de medicamentos entre populações mais vulneráveis à doença de forma preventiva. Ramalho Madruga observou que, na gestão de Benzaken, o Brasil foi o primeiro país da América Latina a ofertar a PrEP.

Em tempo, vale lembrar que enquanto era apenas um deputado de baixo escalão em 2010, em entrevista do programa CQC, o então deputado Jair Bolsonaro, falou à repórter Monica Iozzi que o governo não deveria gastar dinheiro com tratamento de soropositivos. Assista abaixo:

Fonte: Revista Isto É / Estadão Conteúdo

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).