Um novo estudo feito na  Austrália concluiu que a garganta é uma das principais vias de transmissão da gonorreia em homens gays e bissexuais.

A pesquisa foi feita com 60 casais do sexo masculino em Melbourne, na Austrália, em que um dos parceiros testou positivo para gonorreia. E foi encontrado uma alta incidência da bactéria Neisseria gonorrhoeae (causadora da gonorreia) na garganta e no ânus dos parceiros, mas não na uretra.

Isto sugere que a transmissão da gonorreia ocorre através de beijos e da pratica do rimming (beijo grego ou cunete). A transmissão também pode ocorrer se a saliva for usada como lubrificante para o sexo anal. “Nossa principal descoberta foi que, na ausência de infecção na uretra, quando um homem do casal tinha gonorreia na garganta, seu parceiro comumente tinha gonorreia na garganta (23%) e quando um homem do casal tinha gonorreia anal, seu parceiro comumente tinha gonorreia da garganta. (34%)”, explica o Dr. Matthew Hodson, do Serviço de Informação sobre HIV/NAM.

Segundo ele, essa foi uma incidência muito maior do que o puro acaso sugeriria. E também contradiz a crença anterior de que a infecção da uretra era responsável pela maioria das incidências de transmissão de gonorréia entre os homens.

“Em vez disso, nossos dados são consistentes com um novo paradigma de transmissão de gonorreia, no qual a garganta desempenha um papel central na transmissão para a garganta, ânus e uretra do parceiro, presumivelmente através da saliva infectada”. Dos 120 homens (60 casais) estudados, 85 testaram positivo para gonorreia. O local mais comum de infecção foi a garganta (63), seguida do ânus (48) e da uretra (25). Alguns homens tiveram a infecção em vários sites.

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Transmissão pela saliva

Em onze casais (23%), ambos os parceiros tinham gonorreia na garganta, mas não em outros lugares. Isso sugere fortemente a saliva como a rota de transmissão. Os autores do estudo alertam sobre o risco de transmitir gonorreia através da saliva. A maioria das campanhas de sexo seguro concentra-se principalmente no uso de preservativos para o sexo anal.

Homens gays e bissexuais sexualmente ativos devem comparecer às clínicas de saúde para fazer exames regulares de IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Os especialistas sugerem que os exames devem ser feitos pelo menos uma vez por ano, mesmo que os homens não apresentem sintomas, e a cada 3-6 meses se tiverem múltiplos parceiros.

A infecção por gonorreia na uretra geralmente causa uma secreção semelhante a um pus, mas às vezes pode não apresentar sintomas. Uma infecção na garganta por gonorreia pode causar dor de garganta, mas, mais uma vez, pode frequentemente não apresentar sintomas. O mesmo acontece com uma infecção anal – desconforto potencial, mas muitas vezes não há sinais de alerta claros.

Enxaguante bucal

“Nossos dados apoiam um novo paradigma de transmissão de gonorreia, que sugere que a garganta é uma fonte importante de transmissão de gonorreia entre homens”, dizem os pesquisadores, antes de destacar um método potencial para reduzir o risco. “Uma nova estratégia de prevenção de gonorreia está atualmente sob investigação, que é o uso de um anti-séptico bucal para reduzir a prevalência de gonorreia da garganta.”

Um estudo de 2016 sugeriu o gargarejo por 1 minuto diariamente com anti-séptico bucal pode ajudar a reduzir a infecção por gonorreia na garganta. No entanto, os autores desse estudo solicitaram mais pesquisas e alertam que nada está comprovado quanto a eficácia do enxaguante bucal nesse caso.

“Super” gonorreia

As taxas de transmissão de gonorreia aumentaram significativamente em vários países nos últimos anos, incluindo o Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Os especialistas também estão muito preocupados com o surgimento da chamada “super gonorreia”: bactérias resistentes aos antibióticos. Até agora, houve apenas alguns desses casos.

“Estudos anteriores encontraram altas taxas de gonorreia na garganta, mas este é o primeiro estudo a encontrar fortes evidências de transmissão de gonorreia através de beijos, rimming ou usar saliva como lubrificante”, explica o Dr. Matthew Hodson ao GSN.

‘O estudo demonstra mais uma vez que quando se trata de ISTs, você pode reduzir o risco, mas a eliminação de todos os riscos será impraticável para a maioria das pessoas que são sexualmente ativas. A gonorreia na garganta provavelmente não apresenta sintomas perceptíveis, por isso é recomendável fazer testes regulares. “

Usar preservativos na relação sexual é o melhor meio para se prevenir gonorreia. Use camisinha em todo e qualquer tipo de contato sexual, seja ele vaginal, anal ou oral. De modo geral, evite ter relações sexuais com pessoas diagnosticadas com gonorreia até que estejam completamente tratadas.