Em mais uma demonstração de ignorância e falta de humanidade dos políticos do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, o deputado estadual (SP) Douglas Garcia fez uma afirmação extremamente agressiva, grosseira e transfóbica em sessão plenária ontem (3) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Em provocação à deputada eleita Erica Malunguinho, que é uma mulher transexual, ele falava em defesa do projeto de lei do deputado Altair Moraes (PRB), que quer estabelecer como critério para uso de banheiros públicos no Estado apenas o sexo biológico de uma pessoa, quando proferiu a fala extremamente desnecessária e preconceituosa.

“Se um homem que se acha mulher entrar no banheiro em que estiver minha mãe ou minha irmã, tiro o homem de lá a tapa e depois chamo a polícia”, disse Douglas.

Nem mesmo a deputada do próprio PS, Janaina Paschoal aceitou a maneira ofensiva como o deputado se colocou e o afirmou: “A gente pode defender as ideias de uma maneira mais cautelosa, de uma forma mais cortês. Nós assumimos o compromisso, como bancada, de conversar com o colega”.

Ainda conforme informações do UOL, depois de algum tempo, Douglas Garcia pediu a palavra e se retratou. “Eu gostaria de pedir desculpas caso as palavras que eu tenha proferido hoje tenham ofendido alguém”.

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Erica então disse ao deputado que suas desculpas não reparam as mortes de pessoas LGBTs: “Discursos como o que você proferiu nesse plenário matam vidas todos os dias. Você legitimou as práticas de violência que acontecem constantemente em relação à comunidade LGBT”, afirmou Erica.

Natural de em Pernambuco, Erica vive em São Paulo há cerca de 16 anos, tem 37 anos e foi eleita com 55.223 votos. A deputada se apresenta como militante das causas do “povo preto, indígena, lgbtqia+ e periférico”, que “foram historicamente apagados das narrativas de cidadania”.

O PSOL, partido de Erica, afirma que vai mover uma representação contra o parlamentar em sua defesa no Conselho de Ética e pede e cassação do mandato de Douglas por quebra de decoro parlamentar. 

No Facebook, a deputada classificou o posicionamento “uma manifestação de caráter transfóbico e discriminatório, a ser enquadrado, de acordo com o regimento interno, como quebra de decoro parlamentar, que pode resultar em perda do mandato”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).