Após os Estados Unidos afrouxarem as regras para permitirem que homens gay, bissexuais, trans e homens que fazem sexo com homens doem sangue, não foi registrado qualquer aumento no volume de sangue contaminado no país.

As alegações foram feitas pelo Dr. Eduard Grebe da organização sem fins lucrativos de medicina transfusional Vitalant ontem (11 de março) na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, relatou o AIDSmap

Assim como ainda acontece em muitos países do mundo, a doação de sangue por homossexuais, homens bissexuais, mulheres trans e homens que fazem sexo com homens, era proibida nos Estados Unidos desde a década de 80. A medida foi suspensa desde o ano passado.

Falando na conferência – que foi conduzida virtualmente devido a preocupações com o coronavírus – sobre o resultado da medida, Grebe explicou que os pesquisadores analisaram 60% de todas as doações de sangue nos Estados Unidos antes e depois da suspensão da proibição vitalícia.

A proibição foi suspensa nos Estados Unidos em 2015 e foi substituída por uma política que exige que homens homossexuais se abstenham de fazer sexo por 12 meses para doar sangue. Políticas semelhantes existem em todo o mundo e estão associadas à epidemia de HIV / AIDS da década de 1980, que afetou predominantemente homens gays, bissexuais, trans e homens que fazem sexo com homens (mas não se consideram gays).

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Embora exista um processo de triagem robusto, um pequeno número de pessoas contrai o HIV através de transfusões de sangue. E foi observado que esse número não aumentou depois que as regras foram revistas em 2015.

Os pesquisadores descobriram 2,6 casos de HIV entre 100.000 doações de sangue iniciantes por ano nos 15 meses anteriores à mudança da política. Já nos 15 meses após a alteração da política, houve 2,9 casos por 100.000 doadores.

Embora isso pareça um pequeno aumento, os pesquisadores disseram que é pequeno e considerado insignificante e mais devido ao acaso, e não a qualquer alteração na política de doação de sangue.

Os pesquisadores também descobriram que havia certos grupos com maior probabilidade de ter HIV, incluindo aqueles com idades entre 18 e 24 anos: homens negros, homens hispânicos e aqueles que moravam nos estados do sul, onde as campanhas de prevenção falham em chegar como chegam em homens brancos mais facilmente.

“Não há evidências de que a implementação de uma política de adiamento de HSH por 12 meses tenha resultado em aumento da incidência de HIV ou sangue contaminado e, portanto, não existe aumento no risco de transmissão de ISTs por transfusão ou doação de sangue nos Estados Unidos”, concluiu Grebe.

Fonte: PinkNews

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).