Não é preciso ser biólogo pra saber que a existência de pessoas que nasceram em um gênero que não conversava com seu sexo biológico original, não é novidade. Um pouco de estudo de História (quando desde o antigo Egito, já se falava em transição de gênero), ou mesmo assistir a um filme como Garota Dinamarquesa pode ensinar muito disso.

Pois um levantamento do portal PinkNews foi além e mostrou que, assim como a homossexualidade, a transexualidade também se observa entre diversos animais na natureza, ainda que assim como na espécie humana a maioria seja heterossexual e cisgênera.

Claro que é complicado afirmar “transexualidade” com todas as letras, uma vez que as condições de “homem” e “mulher” são gêneros com regras e costumes sociais humanos, e na natureza, dificilmente um bicho “que se sinta em outro gênero” vá se importar ou ter dificuldade em relacionar seu aspecto comportamental ao biológico (e na natureza felizmente também não há animais transfóbicos, salvo o homem mesmo).

Mas pode-se dizer que existem diversos animais que trocam de gênero e/ou sexo biológico durante a vida, e em alguns casos, ainda mudam sua aparência. Conheça abaixo 11 exemplos já observados por cientistas:

Semicossyphus reticulatus

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O documentário Blue Planet II , narrado por David Attenborough, explora o mundo marinho. Um clipe segue o caminho de uma fêmea do peixe asiático Semicossyphus reticulatus, que tem a capacidade de mudar o sexo para o masculino.

Attenborough explicou como a transformação funciona: “Em apenas alguns meses, determinadas enzimas dentro de seu corpo deixam de funcionar e os hormônios masculinos começam a circular. Com o passar do tempo, sua cabeça se expande e seu queixo se alonga. Ela mudou para ele. E com isso vem uma mudança de temperamento ”.

A filmagem se tornou viral, fazendo o peixe ganhar o apelido de “peixe transgênero”. Assista a transformação no vídeo abaixo:

Peixe-Palhaço

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Embora no filme “Procurando Nemo” isso não seja abordado, o peixe-palhaço está entre as espécies que podem alterar seu sexo biológico e sistema reprodutivo.

Todos eles começam a vida como machos, mas são  hermafroditas e podem mudar de sexo de acordo com o status em torno deles.

No mundo do peixe-palhaço, as fêmeas são maiores e mais dominantes e lideram seus cardumes (grupos de peixes). Mas quando o peixe fêmea dominante morre, seu companheiro é o próximo na fila para liderar o grupo.

Sendo assim, para manter a hierarquia estrita da espécie, em que um peixe-palhaço feminino dominante está no topo, o macho então muda seu sexo para feminino. Ele aumenta de tamanho para combinar com a de seu falecido companheiro e passa então a se reproduzir como uma fêmea. Então, o ciclo continua à medida que o macho não dominante do grupo, se transforma em um macho dominante.

Tartaranhão

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40% dos machos das aves Tartaranhão mudam sua aparência para ficarem parecidos com as fêmeas, adotando o visual “feminino” dois anos após o nascimento.

As aves que passam pela “transição” trocam suas penas cinzas por marrom. Acredita-se que a mudança os ajude a impedir ataques.

Sépia-gigante-australiana

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A sépia-gigante-australiana tem a habilidade de mudar sua aparência. Com o número de machos na espécie excedendo muito o número de fêmeas, acontecem lutas entre si pela conquista das fêmeas. Isso pode ser um problema para machos menores, que adaptam seu visual ao das fêmeas para passarem desapercebido pelos outros.

Os que se dão mal em lutas também se camuflam, contraindo seus tentáculos e mudando o padrão de sua aparência, se unindo às fêmeas sem serem notados e sem confronto.

Entenda melhor no vídeo abaixo:

Cobra Tgamnophis Sirtalis

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As cobras de cabeça vermelha machos não podem mudar seu sexo e nem aparência, mas ao invés disso, dão a ilusão de que são fêmeas aos outros machos.

Machos da espécie são capazes de emitir feromônios femininos para atrair outros machos para longe das cobras que são biologicamente femininas. Isso aumenta suas chances de acasalarem com sucesso quando há muitos machos para uma mesma fêmea.

Caracóis marinhos

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Os camarujos marinhos mudam de sexo para sobreviverem, podendo trocar sua biologia de macho pra fêmea e fêmea para macho, adaptando-se facilmente a mudanças em torno deles.

Crepidula fornicata

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O molusco descoberto em 1758 muda seu sexo de macho para fêmea se entra em contato com outro macho. Assim como o peixe-palhaço, os nascidos machos podem se tornar fêmeas após a maturidade.

Leões

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Sim, existem leões cujas características físicas e comportamento estão em um sexo biológico diferente do sexo com o qual nasceram.

Cientistas descobriram uma fluidez de gênero em uma espécie chamada Mmamoriri, que é fêmea, mas age feito macho, tendo inclusive o rugido mais grave e juba.

A leoa (ou leão trans?) foi encontrada nas planícies do Delta do Okavango em Botsuana, no sul da África. Especialistas dizem que seus desenvolvimentos se devem à evolução, já que ela adotou as características de seus colegas masculinos para sobreviver.

Lagarto Pogona 

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Um estudo intitulado “As conseqüências comportamentais da reversão sexual em lagartos” descobriu que os lagartos barbudos são capazes de mudar seu sexo antes de eclodirem no ovo.

Se a incubação dos ovos é exposta a temperaturas superiores a 31 ° C, os dragões barbudos machos mudam de sexo para fêmea.

Tartarugas Marinhas Verdes

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Da mesma forma, as tartarugas marinhas verdes são também espécies com determinação do sexo dependente da temperatura.

Se as tartarugas marinhas verdes se aninharem ao longo da areia especialmente quente, as crias provavelmente serão do sexo feminino, pois os embriões também são afetados pelas altas temperaturas.

Um estudo descobriu que as tartarugas marinhas que nasceram de costas próximas à Grande Barreira de Corais da Austrália são agora 99,8 por cento do sexo feminino devido ao aumento da temperatura.

Em áreas mais frias, a proporção é um pouco menor, mas as fêmeas ainda dominam 65%.

Rãs

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Foi observado que os sapos mudam de sexo,  mas, ao contrário de outras espécies, não parece ser um processo natural.

Em vez disso, um pesticida comum chamado atrazina, que é proibido na Europa, vem alterando o desenvolvimento sexual das rãs.

O herbicida, que muitas vezes acaba em rios onde moram sapos, está transformando sapos machos em sapos fêmeas, diminuindo sua produção de testosterona e aumentando o estrogênio em seus corpos.

Estes sapos machos feminizados são até capazes de se reproduzir como fêmeas naturais, colocando ovos viáveis após o acasalamento com sapos machos.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).