No Distrito Federal, o resultado de um trabalho de alunos do 3º ano do Ensino Fundamental, ou seja, com oito anos de idade na média, chocou docentes e quem mais viu os cartazes da atividade expostos.

A razão? Uma das redações dizia que o presidente eleito iria “dar armas para crianças, adultos e velhos” e “matar os viados”. E sim, quem escreveu isso tem 8 anos de idade.

O intuito do trabalho era uma redação e/ou desenho livres em cartazes individuais onde alunos dissertassem sobre o tema: “Se eu pudesse votar”.

Embora tivessem argumentos e trabalhos a favor e contra ambos os presidenciáveis, foram as declarações e desenhos sobre Bolsonaro que chamaram atenção e chocaram, com desenhos de mortes, armas, pistolas e metralhadoras.

Em seu trabalho, um outro estudante ainda afirmava que “votaria em Bolsonaro porque parecia um bom presidente mesmo sendo preconceituoso”.

Veja alguns cartazes abaixo:

Os cartazes estavam expostos em uma sala de aula que foi usada nas eleições para abrigar seções eleitorais de um colégio. “Quando vi, achei inacreditável. Não entendi a intenção, se era uma forma de protesto ou um descuido”, contou uma eleitora que votou na classe, viu os trabalhos expostos e preferiu não se identificar à reportagem do jornal do DF, Metropoles.

A diretora da escola, Cindia Carpina Cury, afirmou que a atividade foi feita na sexta-feira antes da eleição e ela só soube do conteúdo na segunda-feira.

“Fui pega de surpresa hoje. A maioria dos cartazes é sobre o Bolsonaro e alguns têm informações sobre homofobia, mas não sei se as crianças têm esse comportamento nem conheço o contexto em que elas vivem”, afirma.

Ela ainda garantiu que o trabalho da escola tem objetivo de estimular os estudantes ao respeito mútuo. “Não fazemos qualquer tipo de apologia. Inclusive, questões de gênero não discutimos, pois é a família que decide”.

Ou seja, bela incoerência da diretora, né? Porque é justamente a discussão de sexualidade, diversidade e gênero que impede preconceitos e pensamentos violentos do tipo quanto a diversidade.

Cindia, a professora que aplicou a atividade, disse que só quis saber as opiniões dos estudantes sobre a eleição e não verificou as respostas delas antes de fixar os cartazes na parede.

À reportagem do jornal Metropoles, ela afirmou: “Essas crianças me falaram que têm pensamento radical. É preciso respeitar opinião, mas o que denigre o ser humano não é considerável. Por isso, faço questão de levar esse assunto à sala de aula e intervir pedagogicamente”.

Também procurada pelo jornal, a psicopedagoga Luciane Oliveira ressaltou a importância de se analisar o contexto em que estas crianças estão inseridas: “Não podemos simplesmente criticá-las. Crianças reproduzem o que ouvem sem nem saber o que realmente significa. Elas podem associar a figura do Bolsonaro a arma, mas não quer dizer que tenham essa posição crítica em relação a ele”, explicou.

E concluiu afirmando: “A escola é um espaço aberto, temos de ouvir e discutir para entender o nível de pensamento das crianças e desconstruir algumas ideias, o que estão trazendo de casa”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).