Vai ser apresentado na semana que vem, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei para “vedar expressamente a discriminação baseada na orientação sexual ou identidade de gênero em banheiros, vestiários e assemelhados nos espaços públicos e estabelecimentos comerciais”.

Isso significa, por exemplo, que mulheres trans terão direito a usar o banheiro feminino. “Uma mulher trans em um banheiro masculino vai estar tão vulnerável quanto qualquer mulher. No feminino, ela não oferece risco nenhum às outras”, diz advogada trans Maria Eduarda Aguiar da Silva, que apresentou a proposta ao deputado federal David Miranda.

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Advogada trans tem história de preconceito

Maria Eduarda tem PhD. Catarinense nascida em 1980, migrou com a família para o Rio quando tinha 8 anos, e já vivia torturada pela angústia de uma sexualidade diferente da indicada por seu corpo. Segundo entrevista ao Bem Logado, ela guarda a lembrança de, aos 5, ter apanhado em casa, e silenciado sobre o assunto. “Comecei a experimentar roupas de mulher, e me senti bem. Não sabia dizer à minha mãe o que eu queria”, recorda. “Preferi manter oculto. Não consegui sair do casulo”.

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Na escola, passou por todo o calvário do bullying que persegue pessoas como ela. Sofreu pelo sotaque sulista e pelo jeito “diferente” dos outros meninos. Vivia isolada, sofrendo calada com as ofensas e agressões. Aos 13 anos, os hormônios do florescer da adolescência trouxeram o entendimento. “Queria ser menina. Não me identificava com meu corpo”, verbaliza.