Ao longo de 2020, o Queernejo ganhou espaço na cena independente da música e foi notícia por diversos veículos de comunicação. Para celebrar a união dos integrantes desse movimento, acontece no dia 18 de outubro, o Fivela Fest.

O line up apresenta os shows de: Gabeu – o príncipe do Pocnejo, Gali Galó – artista não binárie do breganejo, Alice Marcone – a primeira mulher trans no sertanejo, Reddy Allor – a primeira drag no universitário, Bemti – artista gay do indie, Zerzil – o garanhão do vale, e ainda: a primeira dupla Queerneja do país – que só será revelada no dia do festival.

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“A realização do nosso festival no contexto brasileiro durante uma pandemia nos faz pensar muito sobre a condição do artista independente, e sobre como o Queernejo é uma pauta que precisa urgentemente de apoiadores e reconhecimento. Fizemos o festival de forma completamente independente, sem patrocínio de marcas – na contramão das grandes lives sertanejas com patrocínios milionários – isso nos coloca como os produtores – e investidores – da nossa própria arte.”

O festival acontecerá no canal do YouTube do Fivela Fest.

Fivela Fest: Trará destaques LGBTs sertanejos (Foto: Montagem / Reprodução)
Festival Queernejo trará destaques LGBTs sertanejos (Foto: Montagem / Reprodução)

Das 15h às 21h, a programação inclui, além de shows, mesas de debate. A apresentação do evento fica por conta de Kássio Pires e o ato de abertura será um set exclusivo da DJ Milian Dolla.

LINE UP do Fivela Fest:

15h15 • DJ SET: Milian Dolla
15h25 • SHOW: Zerzil
15h55 • MESA: Masculinidade no Sertanejo

A mesa “Masculinidade no Sertanejo” com Gabeu (@eugabeu) e Matheus França (@matheusgfrc) (cientista social) trata sobre um assunto muito comum no sertanejo: padrões e heteronormatividade.

16h20 • SHOW: Reddy Allor
16h45 • SHOW: Bemti
17h15 • MESA: Mulheres nos Bastidores do Sertanejo

Gali Galó (@gali.musica), empresárie, idealizadore da SÊLA, convida Naíra Debértollis (@nairadebertolis), criadora da dupla Mel & Kaleb; Theo Charbel (@theocharbel), multiinstrumentista e produtora musical; e Marina Amano (@marinaamano), CEO da Listo Music, para falar sobre toda a cadeia produtiva da música.

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17h40 • SHOW: Mel & Kaleb (Primeira dupla Queerneja do Brasil)
17h50 • SHOW: Gali Galó
18h20 • MESA: Transgeneridades no Sertanejo

A comunidade trans também adentra os caminhos do sertanejo. O Debate sobre o Travanejo reune Alice Marcone (@que alice.marcone) e Tertuliana (@tertulianalustosa).

18h45 • SHOW: Alice Marcone
19h15 • MESA: Negritudes no Sertanejo

Debate urgente traz Alice Marcone (@que alice.marcone) num papo com Erica Silva (@ericasemka) da banda Mulamba, com informações preciosas sobre as verdadeiras raízes do sertanejo.

19h45 • SHOW: Gabeu

Bio dos Artistas

GABEU

CULTURA - Gabriel Felizardo, filho de Solimões, estreia como 'sertanejo gay'

Nascido no interior de São Paulo, na cidade de Franca, Gabeu descreve seu estilo musical como “a mistura do pop com minhas raízes”. Com dois singles lançados, o jovem artista prepara o lançamento do primeiro álbum sertanejo queer para 2020, valorizando as narrativas cujo a figura heteronormativa seja questionada. “Você pode encontrar na minha playlist desde de Lady Gaga até Milionário & José Rico.”, diz o cantor sobre suas referências. O primeiro single “Amor Rural” rendeu mais de 1 milhão de visualizações no YouTube e inúmeras matérias na mídia, levando Gabeu para veículos de comunicação como a Folha de São Paulo, Carta Capital, G1, e para shows na região Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

GALI GALÓ

Gali Galó estreia com breganejo queer e traz participação de Aíla - music non stop

Gali Galó é artista não binárie e lançou dois singles: “Fluxo (Mulher do Futuro)” e “Caminhoneira”, que já contam com mais de 100 mil plays nas plataformas digitais. Canta sobre liberdade e o orgulho de ser quem se é, bem como as sofrências que viveu sendo Queer num ambiente machista, homofóbico e heteronormativo no interior de São Paulo, em Ribeirão Preto, sua cidade natal. Tocada de maneira atípica, a viola caipira de Galó incorpora a música de raíz, ao mesmo tempo em que flerta com a cena indie de São Paulo – cidade que esteve radicade por mais de dez anos. O Brega e o Pop também se somam, resultando um tom irônico e bem humorado na sua assinatura. Já tocou em grandes Festivais como o Festival Febre (SP), Psicodália (SC), Festival Catraca Livre (SP) e na Casa Natura Musical (SP).

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ALICE MARCONE

Alice Marcone, sertaneja e trans, sobre Marília: 'Que feminejo é esse? - 11/08/2020 - UOL Splash

Alice Marcone é uma multiartista do interior de São Paulo. Depois de trabalhar no roteiro das séries “Todxs Nós” para HBO, “Setembro” da Amazon Prime, “Noturnos” do Canal Brasil; como apresentadora do reality show “Born to Fashion” para o E!Entertainment; e como atriz de séries e curta-metragens premiados, Alice decide expandir sua atuação na música, que já conta com a produção da faixa “Amapô” como trilha série “Toda Forma de Amor” dirigida por Bruno Barreto e exibida no Canal Brasil, para a construção de uma carreira no sertanejo. “Noite Quente” é seu primeiro single, com uma faixa produzida por Fabrício Almeida (instrumentista de Rionegro & Solimões e também produtor de Gabeu) e com clipe, com mais de 21k visualizações no YouTube, com a presença de Thomas Aquino de Bacurau como par romântico e direção da dupla Filmes da Diaba.

BEMTI

era dois” | Bemti lança o primeiro trabalho da carreira solo com participações especiais | Poltrona Vip

Bemti estreou sua carreira solo em 2018 com o disco “era dois”, com participações de Johnny Hooker e Tuyo, escolhido como um dos melhores discos do ano por sites como a Rolling Stone Brasil. Nascido numa fazenda na Serra da Saudade (MG), Bemti usa a viola caipira de 10 cordas como base para uma mistura inusitada e emocional de pop, MPB e música alternativa com letras e clipes abertamente gays, apelidando esse estilo de “queer-folk/synth-pop”. Já se apresentou em festivais como o Bananada (Goiânia), Timbre (Uberlândia) e em casas como o Teatro Itaú Cultural (São Paulo). Lançou o single “Faísca” com Tiê e o coletivo Falso Coral que já ultrapassa meio milhão de plays nas plataformas digitais. No início de 2021 Bemti lançará seu segundo disco através do prestigiado edital Natura Musical.

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REDDY ALLOR

Reddy Allor inova ao trazer sertanejo ao cenário LGBTQI+

Reddy Allor iniciou seu trabalho artístico em uma dupla sertaneja com seu irmão mais novo aos 12 anos de idade, sendo apenas “Guilherme e Gabriel”. Há 3 anos resolveu assumir toda a sua resistência se tornando a Drag Queen do sertanejo. Reddy diz ser totalmente livre de rótulos e preza por levar em seus shows um pouco de tudo que forma sua essência: “O sertanejo está na minha vida desde muito cedo e seria contra a minha verdade se ele não fizesse parte de mim hoje; minhas referências vão de Chitãozinho e Xororó à Glória Groove e isso faz com que eu seja tudo que sempre quis”. Lançou no início de 2019 seu primeiro single, “Tira o Olho”, que foi compartilhado por Marília Mendonça e levou seu nome para a mídia. A cantora foi atração do palco principal no Carnailha 2019, o maior carnaval universitário da região que atraiu mais de 8 mil pessoas em uma única noite.

ZERZIL

Zerzil - Beijaço (MV) - YouTube

Um dos nomes do movimento Queernejo, Zerzil é cantor e compositor nascido no sertão de Minas Gerais, em Montes Claros. Atualmente vive em São Paulo. Suas canções têm como principal mote o fortalecimento da cena LGBTQIA+ e a experimentação de novos ritmos dentro do sertanejo. Em 2018 começou a publicar vídeos caseiros com músicas sertanejas autorais no seu canal do youtube, mas seu primeiro lançamento sertanejo é o clipe de “Garanhão do Vale” (2020), uma versão de “Old Town Road”, hit de Lil Nas X.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).