Transexuais são forçadas a cortar o cabelo e vestir roupas “masculinas” pela polícia na Indonésia

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A polícia da Indonésia prendeu 12 transexuais na província de Aceh, a única onde vigora a lei islâmica “sharia”, elas tiveram os cabelos cortados pelos policiais e foram levadas para a delegacia local, onde ficaram detidas por três dias e foram obrigadas a usar roupas de “homem”.

Dezenas de agentes da polícia local e islâmica efetuaram as detenções no sábado (27) à noite em cinco salões de beleza do distrito Aceh Norte, no norte da ilha de Samatra, disse um ativista da defesa dos direitos LGBT (Lésbicas, gays, bisexuais e transexuais).

Os detidos foram libertados no domingo, acrescentou a mesma fonte, que pediu o anonimato. Segundo a agência espanhola EFE, a fonte acrescentou que as 12 pessoas “estão em um local seguro e se recuperando do trauma sofrido”.


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O chefe da polícia de Aceh Norte, Ahmad Untung, qualificou os transexuais como “uma ameaça pior que terroristas” e disse que a polícia atuou por eles terem um comportamento “contrário à ‘sharia’ e à natureza humana”, de acordo com declarações prestadas ao portal Kliksatu.com.

“Estamos mantendo-as presas por três dias para dar aconselhamento e treinamento. Está indo bem e agora elas estão se comportando como homens de verdade”, disse Surianata. Ele disse ainda que sua equipe realizou o ataque, chamado de “Operação Anti Moral Doentia”, após vizinhos reclamarem da “influência negativa” que a comunidade transexual poderia ter sobre seus filhos.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Indonésia condenou os ataques, dizendo que a polícia agiu fora da lei e que as ações foram desumanas. “Todos os cidadãos merecem ser protegidos a tratados igualmente. Depois de ver as fotos do ataque e a informação que recebemos até agora, está claro que eles violaram o código de conduta da polícia. O trabalho da polícia deveria ser proteger as pessoas, particularmente os vulneráveis”, disse Beka Ulung, da Comissão à BBC.

A província de Aceh recebeu direitos especiais para introduzir leis islâmicas mais rígidas há mais de uma década e vem se tornando cada vez mais conservadora. Apesar de não ser contra a lei islâmica de Aceh ser transexual, sexo gay é ilegal, e no ano passado dois homens foram o primeiro casal a ser publicamente punido pelo ato.

Pelo menos 527 pessoas foram espancadas em Aceh desde 2016 até outubro passado, por infrações como apostar em jogos de azar, consumo de álcool ou adultério, entre outras, de acordo com o centro de investigação indonésio Institute for Criminal Justice Reform.

Embora Aceh seja a única província do arquipélago que aplica a “sharia”, organizações não-governamentais (ONG) e ativistas denunciaram um aumento da repressão contra a comunidade LGBT na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo.


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