Só 9% das pessoas sabem que soropositivos em tratamento não transmitem HIV

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Uma pesquisa da fundação americana Terrence Higgins Trust publicada pelo New England Journal of Medicine, revelou que apenas 9% das pessoas sabem que soropositivos em tratamento regular contra o HIV não tem condições de passar o vírus HIV a frente. Isso se deve porque a medicação que torna possível a vida de uma pessoa que vive com HIV, reduz o vírus no organismo até uma carga viral indetectável. Neste estágio, o soropositivo não apresenta uma quantidade de vírus suficiente no corpo pra que sequer possa transmitir o vírus.

Ainda de acordo com  a descoberta, entre homens gays, a ciência sobre este dado sobe pra 25% enquanto entre bissexuais, este número cai para 12%. De qualquer forma ainda é baixo o grau de esclarecimento sobre o assunto.

(continua abaixo)


Vídeo novo:



A divulgação deste tipo de informação é importantíssima, uma vez que ajuda a tirar o estigma de pessoas que tem HIV e reduz o preconceito do restante da sociedade com elas. Pela falta de informação que gera o preconceito, muitas pessoas deixam de se relacionar com soropositivos.

Uma pesquisa da fundação YouGov com 2.022 pessoas revelou que um terço delas assumia se sentir desconfortável caso precisasse prestar primeiros socorros a uma pessoa soropostiva, enquanto 39% disse que não se sentiria confortável em ficar com um HIV+. Em qualquer uma destas situações, não há risco de contágio.

“Não há evidência de qualquer nova transmissão que tenha vindo de pacientes com HIV sob tratamento para novos infectados.”, afirmou o porta voz da fundação HIV Prevention Trials Network.

É importante ressaltar que maior parte das novas transmissões de HIV vem justamente de pessoas que tem o vírus mas não sabem, e consequentemente, não se tratam. Mais de 20% da população infectada não sabe que tem o vírus e aí está o maior risco de transmissão. Daí a importância de se fazer sempre o teste.

O tratamento do HIV consegue diminuir expressivamente quantidade de vírus no sangue do infectado, fazendo com que ele tenha carga viral indetectável, e com isso não tenha nem como passar o vírus a frente.

Sobre o resultado do estudo, Dr Michael Brady, médico e diretor da Terence Higgins Trust, afirmou: “Somente 1 em cada 4 homens gays tem ciência disso, ainda que a comunidade gay seja das mais informadas sobre o assunto. Isso mostra que ainda temos um longo caminho pela frente na conscientização das pessoas.”

Já o Doutor Christian Jessen afirmou: “Há evidências científicas de que pessoas soropositivas sob tratamento não podem infectar ninguém com o vírus. É um fato extraordinário e que infelizmente ainda não é consenso entre a população.”

O paciente e soropositivo Alex Causton-Ronaldson, de 26 anos, que vive em Brighton, afirmou à reportagem: “Tenho HIV desde 2014. Agora que sei minha carga viral e faço tratamento, fico aliviado porque sei que não transmito o vírus pra ninguém. Estou saudável e posso me relacionar, mas o problema ainda é o estigma e preconceito.” Alex tem razão.

As pessoas acham que correm algum risco ao se relacionar com soropositivos e não percebem o quanto isso detona a auto-estima e os prejudica na vida.

E o estigma prejudica não somente soropositivos, como as pessoas que se recusam a fazer o teste pra saber se tem HIV ou não. Muitas não fazem o teste regularmente porque não querem correr o risco de saber que vão viver estigmatizadas, e com isso muitas vezes, acabam descobrindo que tem o vírus tarde demais, sofrendo risco de vida pela ausência do tratamento, que quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais efetivo é.

Uma nova maneira de prevenção do HIV, além da camisinha, caso você tenha tido uma relação de risco é a PEP, que deve ser rapidamente administrada até 72 horas após a possível exposição ao vírus no corpo. Conheça mais no vídeo abaixo:

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