Não-binária e ativista LGBT, Matheusa foi assassinada por traficantes

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Matheusa Passareli, de 21 anos, estudante de Artes Visuais, já estava desaparecida desde o dia 29 de abril passado. Após sair de uma festa no Encantado, Zona Norte do Rio, os amigos não souberam mais de seu paradeiro e iniciaram nas redes sociais uma campanha pedindo por pistas de onde Matheusa, batizado Matheus Passareli, pudesse estar.

Após alguns dias de investigação e mobilização de familiares e amigos principalmente através das redes sociais, a polícia civil do Rio de Janeiro finalmente conseguiu uma pista da situação da jovem, infelizmente a confirmação de um assassinato. Em nota, a polícia divulgou:

(continua abaixo)


Vídeo novo:



“A vítima foi assassinada na madrugada de domingo (29/04) ao sair de uma festa no Morro do 18.”

Ao sair do evento, há cerca de dois quilômetros dali, na Rua Cruz e Souza, no Encantado, também na Zona Norte do Rio. De acordo com relatos, ela estava em surto, andava tirando a roupa e falando frases desconexas.

E foi aí que o pior aconteceu: “Ela foi levada aos traficantes para tentar explicar ali o porquê da situação e não conseguiu se defender ao ponto de ser liberada. E a mataram sem qualquer justificativa (…) Ela foi julgado, tentou se defender, mas segundo moradores dos arredores, continuava falando as frases desconexas. Ela não tinha consciência de que estava passando por um ‘tribunal’ e, por essa razão, foi morta”, explicou ao RJTV a delegada Ellen Souto, da Delegacia de Paradeiros.

Após a execução, seu corpo foi queimado em uma favela do Rio.

Sabendo da alta possibilidade de que o crime tivesse a ver com LGBTFobia principalmente por Matheusa se apresentar socialmente em uma figura andrógena (o que incomoda muito e chama atenção de quem é LGBTfóbico), o deputado federal Jean Wyllys havia instaurado uma frente para investigar o caso.

MATHEUSA, PRESENTE! Desde a semana passada, quando surgiram os primeiros alertas de amigos avisando que Matheusa estava desaparecida, nosso mandato se juntou às manifestações que denunciaram o seu sumiço com pedidos e buscas por informações. Sabíamos do potencial de gravidade da denúncia por se tratar de uma pessoa não-binária, andrógina, um corpo que transitava pelas fronteiras de gênero. Nossa equipe de assessores no Rio também buscou contato com a família, os amigos e com a delegacia envolvida no caso para contribuir com a divulgação do que fosse preciso e também pressionar para que as investigações fossem céleres e diligentes. A suspeita, como a maioria das pessoas já sabem, era de que Matheusa tivesse sido vítima de algum tipo de violência. Sabíamos, é claro, que sua aparência era fator de risco. Que o simples trânsito do seu corpo pela cidade, ainda mais durante a madrugada, era em si motivo de alarde. Infelizmente, o pior que poderíamos esperar aconteceu. Há dias nossa rotina incluía certo grau de ansiedade com o caso, mas nossa angústia estava combinada com a esperança de que, ao final, tudo acabasse bem. E aí veio a notícia que não queríamos ter que divulgar e que eu e minha equipe recebemos com muito abalo e lamento . A polícia concluiu que Matheusa foi assassinada e as circunstâncias ainda estão sendo investigadas. Eles ainda disseram que seu corpo teria sido incinerado para eliminar indícios do crime. Um assassinato brutal seguido de uma eliminação impiedosa do corpo político. Mais uma família foi destruída. Jovens alunos da UERJ, que nos revelaram histórias fantásticas da convivência com Matheusa, pessoas de vinte e poucos anos, como ela, ou até com menos idade, estão traumatizadas com a perda de uma pessoa querida. A dor é muito grande. O nosso sentimento é de responsabilidade. É como se tivesse ocorrido com alguém muito próximo. NÓS, as pessoas LGBT, em geral, vivenciamos a vulnerabilidade e o risco diante do preconceito. Quando ele não é o motivo da violência, está presente como um incremento, uma potencialização. Por isso é impossível também não nos refletirmos nessa história que é, de alguma maneira, nossa.

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Outra personalidade a levantar a bandeira do caso foi a cantora Liniker em suas redes sociais:

🖤

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O crime contra a jovem causou comoção na Internet entre ativistas e militantes LGBTs. O Brasil é um dos países que mais mata LGBTs no mundo. Só em 2016 foram 343 pessoas mortas em razão de ódio por sua orientação sexual ou identidade de gênero.

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