Gay, negro e afeminado: ator de “Com Amor, Simon” diz que viu sua vida no filme

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Há muitas outras lições para o público aprender no filme “Love, Simon”, segundo Clark Moore. Ele é um dos protagonistas do longa, onde faz o personagem Ethan: um gay negro assumido e afeminado, também discriminado na escola onde estuda o protagonista Simon.

A primeira lição do filme é lembrar que se assumir pode ser muito difícil para todos os LGBTs, mesmo pra quem parece que tem uma vida perfeita. Simon, por exemplo, tem uma vida confortável como branco de classe média alta, tem amigos que o apoiam, uma família que o ama… E mesmo com todos estes privilégios, morre de medo de revelar quem ele é de verdade ao mundo.

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“A história mostra que por mais maravilhosos que seus pais sejam ou a sua situação, é assustador se abrir para as pessoas que te amam pelo medo de decepcioná-las. Acredito que o filme ajude tanto LGBTs quanto héteros a entenderem esse momento delicado que passamos.”, disse Clark.

O personagem que ele interpreta aliás, Ethan, é amigo de classe de Simon e sofre bullying constantemente por ser gay, negro, afeminado, e principalmente, assumido para toda a escola.

Por mais que Simon sofra no armário, ele não conta a Ethan que é gay pelo medo de sofrer a mesma discriminação que o colega. Entretanto, o fato de Ethan ser assumido, o torna uma pessoa mesmo com todas as dificuldades que enfrenta, fabulosa, estilosa e confiante, sabendo lidar com seus problemas.

Simon e Ethan em cena no filme “Com Amor, Simon”

Aliás, esta é outra lição do filme: se assumir pode ser completamente diferente pra pessoas LGBTs com características e backgrounds completamente diferentes, ainda que estejam lidando com a mesma questão.

“O jeito que a família de Ethan lida com a questão pode ser totalmente diferente da de Simon pelos seus valores, cultura, particularidades e até questões raciais.”, disse Clark, que sabe bem dos dramas de seu personagem por ser também negro e gay assumido na vida real.

Ele contou que viveu exatamente o drama de Ethan na pele: “As crianças zombavam de mim por ser gay ou por ser negro? Eu pensava: Bem, elas vão viver em Atlanta pelo resto da vida, eu vou arrasar e fazer coisas grandes! Ninguém vai se colocar no meu caminho!”.

Ele entende bem a mudança e visibilidade que seu personagem representa: “O fato de garotos negros e gays poderem ver alguém como eles na tela é incrível e representativo. Por muito tempo, histórias LGBT se centraram apenas em personagens brancos. É importante representarmos e mostrarmos outros aspectos pra que todos se sintam incluídos e possam se ver nas obras.”

Uma outra lição do longa para quem for assistir é que não necessariamente um gay quer fazer sexo com outro apenas por serem homens. Em uma parte do filme, embora os colegas e até o diretor da escola insistam que os dois possam ter um relacionamento apenas por ambos serem gays, não há nada além de amizade entre Simon e Ethan: “Eles não querem ser vistos como um casal, afinal não são e Simon tem que ficar se justificando”, lembra o ator.

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Em sua vida pessoal, Clark Moore contou que não esteve por muito tempo no armário: “As pessoas já sabiam antes de eu me assumir! Eu contava como se fosse meu maior segredo e as pessoas reagiam como ‘Ah é? Ok…’, isso provavelmente porque sempre fui um gay estereotipado e com trejeitos. Sempre fui afeminado, gostava de dançar, cantar, fazer performances de teatro musical em personagens femininos… Então não acho que teve muita novidade pra quem contei ou que fosse algo que não esperavam.”

Sobre o preconceito no meio artístico, ele lamentou que atores assumidamente gays acabem sendo prejudicados ainda nos dias de hoje: “Acho péssimo que tantos atores héteros possam fazer personagens gays tranquilamente enquanto muitos de nós, gays assumidos, acabamos prejudicados nunca conseguindo com a mesma facilidade conquistar papéis de personagens heterossexuais”. E de fato, muitas produtoras e diretores temem que colocar gays assumidos em um papel de galã hétero, por exemplo, possa prejudicar a credibilidade perante o público, infelizmente ainda.

Clark ainda lembrou a comunidade LGBT a importância de se apoiar e divulgar o longa-metragem: “Precisamos nos unir pra encorajar produtoras a fazerem mais filmes que nos representem! Pantera Negra, por exemplo, foi um sucesso e já abre caminho pra novas produções com mais atores negros! Vamos fazer do filme um sucesso assim ano que vem teremos mais 10 destes e no próximo ano mais 20! Sabemos que se não fizer sucesso, isso nos fecha porta, não temos como desperdiçar essa grande oportunidade!”.


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