Como Ryan Murphy transformou a dor real de Ricky Martin em algo deslumbrante na TV

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Finalmente o “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” (ACS Versace) estreou no canal FX Brasil. ALERTA SPOILER! Se você ainda não viu o primeiro episódio, é por sua conta e risco se continuar a ler esse texto a partir de agora.

Embora Ricky Martin tenha estado no centro das atenções há 35 anos, sempre confortável em suas apresentações no palco pra milhares de fãs, sorriso cintilante, cantando e dançando com perfeição – quando você já viu um showman como Ricky Martin, seja em Las Vegas ou na Broadway, você sabe o que está recebendo – mas no primeiro episódio dirigido por Ryan Murphy de “ACS Versace – “The Man Who Would Be Vogue”, Ricky mostra ao público algo que eles nunca viram dele antes: desespero, mas muito desespero.

ÚLTIMO AVISO: SPOILER – O Ricky Martin, nascido em Puerto Rico, interpreta Antonio D’Amico, companheiro de longa data de Gianni Versace, e se você ignorou o título desta série, Versace morre na frente de casa e é encontrado por Antonio.

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Durante o episódio vemos Antonio (Ricky Martin) chateado e coberto pelo sangue de Versace. Em um momento impressionante, sem palavras e sem script, Martin deixa sua máscara eternamente otimista escapar completamente e ele é simplesmente fantástico. O sorriso reluzente desapareceu e os olhos caindo de exaustão, vemos um Ricky Martin vestindo o sofrimento pessoal de ter ficado no armário por décadas e finalmente olha para si mesmo no espelho. “Eu acho que Ryan queria usar e aproveitar essa vulnerabilidade”, disse Martin em uma nova entrevista para Still Watching da Vanity Fair.

Na entrevista que aconteceu depois de Ricky filmar por dez horas a cena da descoberta do corpo de Versace e uma cena do interrogatório policial, ele contou o que Murphy disse e fez por ele nesse dia: “Rick, vamos lá, vamos ao banheiro. Quero que você fique na frente do espelho. Lave as mãos porque você foi coberto de sangue nas últimas 10 horas e me dê o que puder na frente do espelho”, naquele momento, Ricky disse “eu estava exausto, drenado e muito triste”.

Desde os 12 anos de idade, Ricky viveu sua vida sob o olhar do público, primeiro como um garoto do grupo Menudo e, depois, como uma sensação latina na carreira solo. Mas foi aos 38 anos de idade, que o Ricky Martin católico contou a verdade sobre sua sexualidade que até então era um segredo: ele era gay. Ele disse para Still Watching que nessa época sentia uma “homofobia internalizada”, que igualmente atormentava Gianni Versace e o seu assassino: Andrew Cunanan.

Martin descreve esse período como “os momentos mais desconfortáveis ​​e mais tristes da minha vida. Achei que minhas emoções eram malignas porque era o que me diziam. Você não deve se sentir assim.” Em entrevistas anteriores, ele falou de períodos de depressão não diagnosticados que aumentaram significativamente quando ele postou um texto em seu site em 30 de março de 2010 dizendo ao mundo que era gay.

Ryan Murphy escolheu Ricky Martin para esse papel, cujo o elenco é maravilhoso, para fazer parte de uma série que explora o efeito distorcido e prejudicial da sexualidade fechada, em segredo e daqueles que buscavam estilos de vida muitas vezes inalcançáveis. Ricky representa, para muitos, o resumo dos anos 90. A jornalista Barbara Walters, que expressou poucos arrependimentos profissionais em sua vida, admitiu em 2010 que pressionou Ricky Martin demais para contar o “segredo” quase aberto sobre sua sexualidade em 2000, chamando sua linha de questionamento “inapropriada”.

O cantor estava morando em Miami durante o final dos anos 90 de Versace. O “South Beach” reinava e, embora os dois nunca se encontraram – “Eu participei de uma campanha de Giorgio Amani na época”, explicou Ricky, que freqüentemente foi convidado para participar de festas na mansão Versace.

Como um designer famoso, fora do armário e orgulhoso de sua homossexualidade, Versace era uma anomalia mesmo no mundo gay-friendly da moda. Embora a sexualidade aberta de Versace não fizesse nada para Martin naquele momento -“Pelo contrário, eu estava tão trancado em um armário”- o cantor diz que atitude de Versace naquela época, teve o mesmo efeito libertador para muitos de seus próprios fãs em 2010, “ninguém sabe como é fácil sair do armário até que o façam.”

Ricky Martin finalmente apareceu na casa de Versace 20 anos depois, quando, durante duas semanas na primavera passada, “American Crime Story” mudou-se para a antiga casa do designer em Ocean Drive (agora um hotel) para recriar meticulosamente a cena do crime. Martin disse que “viveu” como Antonio todo o tempo que ele estava naquela casa – e ao contrário da maioria de seus colegas, ele conseguiu conversar com Antonio D’Amico, que atualmente mora em Londres, que inspirou a sua atuação.

Adotando um sotaque italiano, Martin disse para Still Watching sobre o desapontamento inicial de Antonio com algumas fotos que vazaram do set na imprensa: “Ricky! Eu nunca uso uma camisa verde!”, disse Antonio durante a conversa com Ricky. Mas aquele impulso inicial de D’Amico se transformou em um diálogo íntimo entre Antonio e Martin, o homem que se tornaria ele. O parceiro de longa data de Versace respondeu as perguntas mais difíceis de Martin em detalhes minuciosos, ao ponto em que ele conseguiu chegar pronto com, talvez, uma visão mais direta do que qualquer outra pessoa no elenco. “Tudo o que você vê”, ele disse, “é baseado em comunicação. E eu tive diretamente com Antonio D’Amico”.

A pesquisa que Ricky Martin fez valeu a pena, assim como sua amizade com Edgar Ramirez, o ator que interpreta Gianni Versace – a quem ele entusiasticamente chama de seu “irmão”. Mas o recurso que o gênio Ryan Murphy usou para transformar a exaustão emocional de Martin na vida real para ser usada por ele na série é o que entrega a imagem capturada desse primeiro episódio. E Ricky Martin, que tão corajosamente compartilhou um segredo bem guardado com seus fãs em 2010, compartilha ainda uma outra verdade na estréia da história de ACS Versace: o pedágio traumático que a vida secreta tomou sobre ele, mesmo que ele sorriu amplamente e sacudiu seu “bon-bon” para todo o mundo ver.

Resumo do primeiro episódio: “The Man Who Would Be Vogue”

O episódio inicial de “The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story” chocou ao já mostrar, de cara, a cena do crime em si, na qual Gianni (Edgar Ramirez) é morto pelo serial killer Andrew Cunanan (Darren Criss) nos degraus de sua mansão em South Beach, Flórida (EUA). A cena foi rodada na autêntica mansão que foi construída e habitada por Versace e seu amado, o modelo Antonio D’Amico (Ricky Martin). Depois o episódio vai começar a mostrar quem é Andrew Cunanam e começa a dar pistas de sua obsessão por Gianni Versace. Um dos momentos importantes do episódio é sobre quando Cunanan e Versace trocaram olhares pela primeira vez sete anos antes do encontro fatídico, em uma boate gay na cidade de San Francisco. A cena na casa noturna dá o pontapé na ideia da série de mostrar como era vibrante a cultura homossexual nos anos 90.

ACS:Versace tem nove episódios e é exibido pelo canal FX Brasil, todas as quintas-feiras, às 23 horas.

Veja o trailer:


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