Dizer que há uma geração, que está envelhecendo bem com o HIV/AIDS pode parecer uma piada cruel, mas é um fato. A expectativa de vida após a identificação do vírus em 1984 foi frequentemente de alguns meses após o diagnóstico. Hoje, no entanto, com o Dia Mundial da AIDS sendo comemorado pelo trigésimo ano, muitas pessoas com HIV vivem tanto quanto a população em geral.

De acordo com os dados UNAIDS há cerca de 36,7 milhões de pessoas que estão infectadas com o vírus no mundo. Apesar de o vírus ter sido identificado apenas em 1984, mais de 35 milhões de pessoas já morreram de HIV ou AIDS, tornando-se uma das pandemias mais destrutivas da história. Devido a medicamentos altamente eficazes contra o HIV, menos de 7.000 pessoas morreram por causas relacionadas ao HIV nos Estados Unidos em 2014. Isso significa que as pessoas vivendo com HIV envelhecem. Nos Estados Unidos, 45 por cento de todas as pessoas que vivem com HIV hoje têm idade igual ou superior a 50 anos. Em todo o mundo, cerca de 10 por cento estão 50 anos ou mais, um número que deverá aumentar, desde que os medicamentos continuem se tornando mais eficazes.

Na última semana, dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontaram que o Brasil obteve avanços no diagnóstico, tratamento e controle do vírus nos últimos quatro anos. Segundo a pasta, hoje, 84% das pessoas vivendo com HIV em todo o país já têm diagnóstico. O Ministério da Saúde estima que 830 mil brasileiros tenham HIV. Segundo o relatório da pasta, 84% foram diagnosticadas com o vírus – o equivalente a 694 mil pessoas – e 72% delas estão em tratamento. Destas, 91% já estão com carga viral suprimida, as chamadas “pessoas indetectáveis”.

Apesar de todo o avanço nas pesquisa por novos medicamentos, muitos cientistas acreditam que ainda estamos décadas longe de uma verdadeira cura para o HIV. Mais de 36 milhões de pessoas infectadas com o HIV continuarão a envelhecer e tentaram viver suas com a maior normalidade possível.  O envelhecimento não é fácil para qualquer um de nós. A medida que envelhecemos nossos corpos já não são tão rápidos como costumavam ser, o tempo de recuperação é mais longo e temos mais algumas dores do que quando éramos mais jovens. Então, é mais difícil para as pessoas que vivem com o HIV envelhecer bem?

A pesquisa divulgada pelo site Pink News mostra que é. Dentre os vários itens revelados pela estudo, especificamente, idosos com o HIV tem:
– Maior probabilidade de viver com mais de uma condição de saúde adversa ao mesmo tempo, incluindo hepatite C, hipertensão, insuficiência pulmonar e disfunção cognitiva.
– Sintomas de doenças como a depressão, por exemplo, fadiga e até mesmo dor são mais intensos.
– Enfrentam o estigma tanto da infecção pelo HIV quanto a do envelhecimento.

Não há um formula para envelhecer bem, não importa o seu estado de saúde. Todo mundo precisa tomar seus medicamentos conforme prescrito, ter uma boa noite de sono, gerenciar o estresse e consultar regularmente um profissional de saúde.

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Jornalista, apaixonada por música, cinema, séries e midias sociais. Defensora dos direitos LGBTQ.

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As pessoas estão envelhecendo com o HIV pela primeira vez em 30 anos