Aos 90 anos, lésbica processa força aérea 60 anos após ser demitida por ser homossexual

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Helen Grace James, uma senhora de 90 anos que nasceu na Pensilviania, nos Estados Unidos, decidiu processar a força aérea americana por ter sido impedida de pilotar aviões em 1955 simplesmente por ser lésbica.

A força militar sempre teve uma grande importância em sua vida. Seu bisavô foi soltado na guerra e seu pai também participou da Primeira Guerra assim como seus primos e sobrinhos lutaram na Segunda Guerra Mundial.

(continua abaixo)


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Helen disse que tinha consciência de sua sexualidade desde bem nova, tendo percebido quando sentiu uma atração inevitável por uma atriz que viu em um filme: “Eu nem sabia o que era ser lésbica! O termo nem existia e ninguém falava sobre isso!”, disse ela ao Washington Post.

Ela entrou na força aérea quando tinha 25 anos em 1952 e amou fazer parte disso e conhecer militares de todo país. Acontece que durante os anos 50, houve uma caça às bruxas por homossexuais infiltrados nas forças armadas. Por pura ignorância, havia a crença de que estas pessoas poderiam colocar a segurança nacional em risco e serem agentes infiltrados do Comunismo.

Helen, ex-militar americana desonrada das forças armadas pela sexualidade

De 1950 a 1956, pelo menos 5 mil militares foram demitidos das forças armadas simplesmente por suspeita de homossexualidade.

Foi justamente nesta época que, um dia, quando ela ia almoçar com uma amiga, ambas foram perseguidas, capturadas e interrogadas de maneira brutal por superiores, o que deixou Helen doente.

Depois de dias de interrogatório, eles a chantagearam ameaçando contar para sua família de sua homossexualidade. Ela finalmente topou o acordo em troca de ser solta e assinou o documento de sua demissão atestando sua dispensa “voluntária” da maneira que eles queriam, abrindo mão de todos os seus direitos.

No dia 3 de março de 1955, Helen recebeu a “desonra” da força aérea e foi desligada do serviço militar, tendo confiscados seus botons, títulos e uniformes.

“Eu precisei fugir. Nem com minha família e amigos podia ficar. Não podia ficar por ali com tanta vergonha e desonra das forças armadas”, disse ela.

Por fim ela ingressou na carreira de fisioterapia, mas sempre acompanhou de longe as Forças Armadas, sua verdadeira vocação e paixão, pelo resto da vida.

Com a “desonra” das forças armadas, ela foi impedida de ter benefícios em planos de educação que militares tem e coberturas médicas e outros benefícios concedidos a veteranos e suas famílias ao longo da vida.

Nos anos 60, ela conseguiu na justiça trocar o termo “desonrada” por “não desejada”. Ainda assim ela não conseguiu ter acesso aos benefícios militares, como por exemplo, poder ser enterrada no cemitério nacional com a guarda.

Cemitério onde militares são enterrados com honras militares.

Ano passado, Helen fez 90 anos e decidiu processar judicialmente a Força Aérea por toda discriminação que sofreu 60 anos atrás e pelo resto da sua vida, na tentativa de resgatar a dignidade de sua biografia como militar e veterana.

“Fiz isso porque preciso! Sou uma boa pessoa e mereço ter isso provada. Eu não sou a pessoa indigna que eles disseram que eu era. Este rótulo me acompanhou por toda vida, fui tratada como cidadã de segunda classe.”, contou Helen ao Washington Post.

E nos dias de hoje, suas chances de conseguir terem retiradas todas as desonras, conseguir seus benefícios e finalmente ter uma biografia militar limpa, são altas. Em 2016, Hubert Spires, um militar também “desonrado” por ser gay em 1948, processou as forças armadas e ganhou a causa. Aos 91 anos ele recebeu suas honras militares finalmente. Já era hora, não é mesmo?


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