Aluno da UFRJ sofre homofobia por cursar urologia: “Viado não pode fazer!”

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Gustavo Henrique Amorim é estudante do curso de medicina na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e se especializa na área de urologia. Isso não seria um problema se ele não fosse gay.

“Viado não pode fazer urologia!”, e “Não vai fazer toque retal sem luva, hein?” são apenas algumas das provocações que ele ouve constantemente dos outros colegas de curso que simplesmente não aceitam o fato de um gay se propor a ser médico e cuidar da saúde íntima masculina de seus pacientes, de maneira profissional, é claro.

Em entrevista ao portal iGay, ele falou melhor sobre o preconceito que sofre por parte dos outros estudantes, e mais do que isso, a falta de atitude do corpo docente ou direção da Universidade em relação ao problema.

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Ele revelou que muitos de seus colegas chegam a trancar a matrícula devido ao preconceito e não conseguirem se sentir parte do lugar onde estudam e convivem.

Em um texto em seu Facebook que já teve mais de 36 mil curtidas e 8 mil compartilhamentos, entitulado “Bicha Carbonizada”, ele acabou comovendo parte dos professores e colegas de curso.
O curioso é que, como ele mesmo lembra, homens heterossexuais que fazem curso de ginecologia, ou seja, atendem pacientes mulheres, não sofrem a mesma discriminação: “

Após a repercussão do caso, ele foi convidado a palestrar sobre saúde e ser LGBT. Uma das causas do preconceito para ele é a ignorância e crença da hiperssexualização da comunidade LGBT: “Eles acreditam que as questões de gênero e de identidade se resumem apenas ‘à cama’ e não ao que realmente somos.”, desabafou o estudante à reportagem do iGay.

Gustavo também lembrou da carência de informações relativas a LGBTs no campo da saúde. “Eu mesmo, que sou LGBT+, não fui ensinado e não sei prevenir quais as DSTs mais prevalentes no sexo lésbico, por exemplo. Deveríamos saber, é o papel do médico”, contou ele.

Ainda sobre a Universidade, ele diz que o corpo docente ainda é muito heteronormativo e não reconhece os estudantes LGBTs, ignorando a questão apesar destes representarem cerca de 10% dos alunos do curso de medicina.

Após a repercussão do post nas redes sociais, a UFRJ se manifestou. Em nota, o diretor Roberto MEeronho esclareceu que a Instituição vem tomando atitudes afim de se reduzir o preconceito no ambiente universitário, como por exempo, com a criação de um Coletivo LGBT de alunos que vem ajudando a conscientizar os outros alunos e mudar este quadro.

O diretor também criou a Comissão de Direitos Humanos da faculdade pra facilitar a denúncia de abusos: “Ainda assim, muitos alunos tem medo de denunciar. É inadmissível que tais eventos ocorram em um ambiente onde deveria acontecer a liberdade, solidariedade, empatia, justiça entre tantos sentimentos belos que nos fazem humanos”, disse ele.

Perguntado sobre o futuro, Gustavo acredita que sua geração ainda não verá o preconceito acabar, mas sim diminuir e começar cada vez mais a acontecer de maneira menos explícita e mais velada: “Minha geração não vai ver o fim da fobia contra a comunidade LGBT no espaço médico”, declara, ressaltando que, na opinião dele, os médicos ainda são muito “cabeça dura”, concluiu ele.

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